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Uma viagem à moda brasileira

A evolução da moda no Brasil é um reflexo vibrante da história e cultura diversificada do país. Confira a evolução da moda brasileira ao longo das décadas.

Bonecos ilustrando as diefrentes modas de cada época

A moda é muito maior do que apenas vestimentas, manifestação da vaidade ou uma das indústrias mais valiosas do mundo. É, acima de tudo, uma forma de expressão e de marcos históricos para a humanidade.

O antropólogo e sociólogo Alexandre Bérgamo, em seu artigo O campo da moda, afirma que “[…] a roupa é uma construção racionalizada: permite comunicar o sentido da posição do indivíduo dentro da estrutura social, é seu instrumento de realização”.

Isso significa que a forma como alguém se veste diz muito sobre quem ela é, tanto em termos individuais (sua personalidade, seus gostos pessoais), quanto em termos coletivos (sua cultura, sua comunidade, seu poder aquisitivo).

Outro ponto importante é que a moda é quase um organismo vivo, que sempre se modifica. Karen Akemi, gerente de produtos da Oscar Calçados, fala um pouco sobre isso. “A moda é cíclica, e elementos do passado frequentemente ressurgem com uma nova roupagem. É bastante comum vermos tendências que eram populares em décadas anteriores sendo reinterpretadas e incorporadas novamente no guarda-roupa de hoje”, declara.

Essa inquietação é um dos elementos que fazem do universo fashion algo tão interessante, já que sua fonte de criações, novidades e interpretações é infinita. A criatividade e a originalidade de designers do mundo todo, juntamente com a própria interferência popular, que acontece de modo orgânico — já que as tendências vão se “criando sozinhas” devido a fatores políticos, de pensamento coletivo e até climáticos —, contribuem para que a moda sempre tenha relevância e seja um objeto capaz de moldar ou seguir os moldes da sociedade.

Isso acontece em todo lugar, inclusive no Brasil. Embora as influências estrangeiras estejam muito presentes no dia a dia do país, existe uma marca única e totalmente nacional. “A moda brasileira sempre teve uma identidade bem particular, muito por conta da nossa diversidade de culturas”, afirma Karen Akemi.

Assim, levando em consideração a importância social e a constante metamorfose da arte de se vestir, você vai desbravar a evolução da moda do Brasil (e do mundo) neste material, passando pelos momentos mais marcantes até chegar nos dias atuais.

Exploramos o tema ao longo das décadas, de 1911 aos anos 2020. Embarque agora nesta viagem à moda brasileira!

1911-1920

ilustração das roupas usadas entre 1911 e 1920

O início do século XX foi marcado pela Primeira Guerra Mundial. Embora tenha começado oficialmente em 1914, o desdobramento dos acontecimentos até sua ruptura já era sentido na Europa.

Com a necessidade de soldados no front, os homens europeus marcharam para a guerra. As mulheres assumiram os postos de trabalho antes ocupados pelos maridos, pais e irmãos, o que pedia por roupas mais funcionais e confortáveis, além de baratas, já que os conflitos aumentaram os preços de todos os produtos e matérias-primas — incluindo tecidos.

Denise Poiret usando um dos modelos de seu marido,
o estilista francês Paul Poiret (1913).
Foto: HistoricalFindings

As roupas pomposas e elaboradas de antes já não eram mais viáveis. Os vestidos, espartilhos e babados foram substituídos por calças mais largas, saias modestas, jaquetas e casacos retos, chapéus discretos (modelo clochê) e sapatos fechados. Em 1915, a saia ficou um pouco mais curta — acima dos tornozelos.

Os homens, por sua vez, seguiram o militarismo. Mesmo que já não estivessem mais nos campos de batalha, a estética séria, rígida e formal dos militares se instalou no guarda-roupa masculino.

Os sapatos perderam os canos longos por causa da escassez de materiais, e a necessidade de praticidade e conforto desencadeou um boom de botas de couro, geralmente com cadarços e designs relativamente simples. Oxfords e saltos singelos — especialmente os inspirados pelos que Luís XIV de França usava — também faziam parte da moda da época.

As cores mudaram. Em decorrência dos horrores da guerra, os tons sóbrios e escuros foram os mais adotados por homens e mulheres. Preto, cinza, azul e verde profundos se tornaram muito presentes — afora o branco. 

O Brasil, mesmo que não estivesse em uma situação tão alarmante quanto à Europa, também sofreu efeitos da Primeira Guerra Mundial. O ingresso do país aconteceu em 1917, quando navios nacionais foram atacados por tropas alemãs. Embora a atuação brasileira se resumisse apenas a suporte aéreo/marítimo e o socorro a soldados feridos, as consequências se estenderam. 

A guerra gerou atraso político e econômico em relação à conjuntura internacional, afetando diretamente o desenvolvimento do Brasil nos anos seguintes. Os confrontos também coincidiram com a crise cafeeira, a Greve Geral de 1917 em São Paulo e a gripe espanhola. Tudo isso abalou a economia, encarecendo uma série de produtos. 

Assim, a moda brasileira seguia padrões semelhantes aos da Europa, especialmente quem estava no topo da pirâmide social. Mesmo com o clima tropical, as maiores personalidades daquele tempo, protegidas do calor por seus casarões, conseguiam se vestir como os europeus. Os mais pobres, no entanto, faziam o que podiam com tecidos leves e roupas um pouco mais reveladoras.

Eventos marcantes entre 1911 e 1920:

  • 1912 – A marca inglesa Mappin & Webb abre sua primeira unidade no Brasil, no Rio de Janeiro, vendendo prataria e produtos finos. Um ano depois, migra para São Paulo e passa a funcionar como loja de departamentos.
  • 1913 – Abertura da primeira loja da Prada, pelo artesão Mario Prada.
  • 1914 – Primeira patente do sutiã, pela norte-americana Mary Phelps Jacob.
  • 1917 – Lançamento do tênis Keds, da Rubber.
  • 1919 – A marca Converse lança um tênis de lona com solado de borracha, cadarço e símbolo de uma estrela de cinco pontas, o All Star.
  • 1920 – Criação de óculos escuros com lentes verdes e armação de metal em formato arredondado para proteger os olhos de oficiais da aeronáutica dos Estados Unidos. Recebem o nome de Ray-Ban (banidor de raios).

1921-1930

Ilustração da moda dos anos 20 até 30

Dois anos após a guerra, as coisas se acalmaram politicamente, o que permitiu que as pessoas se entregassem mais aos prazeres da vida. Os Roaring Twenties (Anos Loucos), como a década de 1920 é conhecida, foi marcada pela prosperidade no ocidente, o que também afetou a moda.

As mulheres passam a usar vestidos mais curtos e soltos. Os chapéus clochê eram ainda mais populares, trazendo um ar de mistério e até androginia. A silhueta tubular, presente em vestidos de cintura baixa e bainha pendurada, era sucesso — pelo conforto e pela possibilidade de usar tecidos simples. Calças também começaram a aparecer com mais frequência, marcando de vez o estilo la garçonne.

Traços da moda masculina começaram a migrar para as vestimentas femininas graças a Coco Chanel. Ela mostrava sua inventividade e coragem ao buscar roupas práticas e funcionais para as mulheres. Outro feito de Chanel foi popularizar o la garçonne.

Por mais que a estrutura dos vestidos fosse básica, o acabamento era extravagante. Lantejoulas, bordados e pedrarias ditaram o tom glamuroso daquele tempo — como visto no filme O Grande Gatsby (2013).

Pela primeira vez, os sapatos das mulheres ficaram visíveis. Antes, as saias compridas os escondiam. Com isso, os calçados passaram a ser considerados elementos integrais dos visuais. O mais famoso era o salto de 5 cm, assim como modelos de inspiração colonial. Para atividades ao ar livre, tênis tipo Keds.

Os homens simplificaram seus guarda-roupas e substituíram os ternos de três peças por golas suaves, jaquetas menos retas, calças mais largas e camisas casuais para passeios outdoor. Mesmo assim, os ternos ainda eram as vestes mais comuns.

Já o Brasil bebeu da fonte europeia. Os filhos de diversos empresários tiveram acesso à educação e à cultura do Velho Continente, criando um círculo de brasileiros com estilos de vida opulentos. Treinados pelo intelectualismo e pelas artes, trouxeram a estética para casa. Alguns desses nomes são Tarsila do Amaral, Eugênia Álvaro Moreyra, Anita Malfatti e Pagu, que fizeram parte da Semana de Arte Moderna (1922).

Em algum momento do período em questão, surgiu o conceito de melindrosa, termo criado pelo ilustrador carioca J.Carlos para definir o estilo das mulheres dos anos 20 — jovens, de cabelos e saias curtas, impetuosas, que bebem, fumam e buscam pela independência financeira e sexual.

Eventos marcantes entre 1921 e 1930:

  • 1922 – Lançamento do livro La Garçonne, de Victor Margueritte, que deu nome ao estilo consideravelmente masculinizado das mulheres da época.
  • 1923 – Popularização dos trajes esportivos.
  • 1924 – Fundação da Adidas.
  • 1926 – Lançamento do petite robe noire, o “pretinho básico” da Chanel.
  • 1927 – Popularização das bainhas assimétricas por Coco Chanel e Jean Patou.
  • 1928 – A designer ucraniana Sonia Delaunay, famosa na Europa e no Rio de Janeiro, cria fantasias de carnaval exclusivas com muitas cores e formas geométricas.
  • 1929 – Inauguração da Peleteria Canadá, no Rio, que traz roupas de pele ao Brasil e adapta peças importadas para o clima da cidade.
  • 1929 – Lançamento do primeiro tênis esportivo, o Green Flash, da marca Dunlop.
  • 1930 – Antes considerado inapropriado, o short começa a ser aceito, especialmente ao ar livre.

1931-1940

Ilustração das roupas da época entre os anos 30 e 40

A década de 1930 trouxe de volta a valorização das curvas femininas, criando silhuetas mais justas ao corpo. Os vestidos eram compostos por torso alongado e ombros proeminentes, enquanto os cabelos eram curtos e estilizados em ondas suaves.

Sem contar Coco Chanel, outros estilistas europeus começaram a ganhar influência, como Elsa Schiaparelli, Cristobal Balenciaga e Madeleine Vionnet. Toques surrealistas passaram a imprimir na moda uma intensa condição artística, que ia além da simples vestimenta.

Apesar da quebra da bolsa de Nova York em 1929 (Grande Depressão) ter ferido a economia dos Estados Unidos na década de 30 —  obrigando designers a usar materiais baratos para a confecção de roupas — Hollywood começou a ditar tendências. Greta Garbo com seus vestidos longos e elegantes, Bette Davis e sua feminilidade sensual, Marlene Dietrich e sua androginia, Joan Crawford e seu romantismo dramático.

Oxfords baixos e de salto médio, sapatos com tiras em T sobre o peito do pé, sandálias recortadas e tênis casuais eram os calçados mais usados pelas mulheres. Homens calçavam sapatos sociais e botas de trabalho.

Para eles, o ponto principal foi a informalidade. O distanciamento dos ternos e gravatas levou a moda masculina para mais perto de suéteres de lã, boinas, camisas de colarinho aberto, calças de flanela e blazers.

Assim como nas décadas anteriores, o Brasil ainda se inspirava nas tendências da Europa, em especial as francesas. No entanto, enquanto as mulheres europeias e norte-americanas usavam roupas mais provocantes, as brasileiras mantiveram o conservadorismo — mesmo que as silhuetas tivessem voltado a exaltar a forma feminina.

Na mesma época, a preocupação com a adequação das roupas ao clima do Brasil aumentou, enquanto o polo de alta costura do país era concentrado na Casa Canadá (antes Peleteria Canadá).

Eventos marcantes entre 1931 e 1940:

  • 1933 – Criação da Lacoste, precursora da moda esportiva.
  • 1934 – Lançamento de Fashions of 1934, filme estrelado por Bette Davis que critica as práticas de cópia dos EUA em relação à moda da França.
  • 1935 – Inauguração da Peleteria Americana, loja semelhante à Casa Canadá, em São Paulo.
  • 1938 – Primeira coleção temática da história, Circus Parade, por Elsa Schiaparelli.
  • 1938 – Comercialização do nylon.
  • 1950 – Lançamento do tênis Adidas Samba.

1941-1950

Bonecos ilustrando as roupas usadas entre os anos 40 e 50

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) estagnou a moda. Assim como na Primeira Guerra, as mulheres precisaram trabalhar enquanto os homens integraram o exército.

Diante de tantos horrores, as pessoas não se preocupavam em usar nada além de suas roupas de trabalho. Além disso, os custos da guerra causaram o aumento de preços e o racionamento de tecidos. Até mesmo a França, já estabilizada como o centro mundial da moda, sofreu consequências. Quando as tropas alemãs ocuparam Paris (1940-1944), muitos designers fugiram, migrando para outros países europeus e Estados Unidos.

Com foco especial em funcionalidade, as roupas se tornaram menos detalhadas e mais simples, práticas e duráveis. As mulheres usavam vestidos e saias sem adornos, mas com bom acinturamento. Calçados baixos de couro (mocassins e oxfords), sapatos com tiras nos tornozelos e saltos altos marcaram a época, com maior produção após o fim da guerra.

Já os homens voltaram para os ternos, mas com algumas mudanças: bainhas mais estreitas, calças com apenas um bolso (e sem pregas) e proibição de barras viradas.

Na moda masculina norte-americana, surgiu um novo estilo de terno, o chamado zoot suit, com medidas oversized, lapelas grandes e ombros acolchoados. Os maiores adeptos foram os homens da classe trabalhadora, em especial os negros.

No Brasil, a dificuldade de importação de materiais devido a guerra obrigou o país a iniciar sua própria indústria têxtil. O problema era que os mais ricos não valorizavam os produtos nacionais, o que fez com que o trabalho de lojas como o da Casa Canadá fosse ainda mais importante para que o conceito de moda brasileira aflorasse de fato.

A boutique passou a confeccionar tecidos dentro de casa, considerando as nuances da cultura do Brasil. Também organizava desfiles, tinha um ateliê de alta costura, fazia encomendas prêt-à-porter (prontas para vestir) e mantinha um relacionamento estreito com a imprensa e parceiros norte-americanos.

Hollywood continuava a influenciar. Grandes atrizes como Lana Turner, Hedy Lamarr, Rita Hayworth, Ingrid Bergman e Katharine Hepburn serviam de inspiração para mulheres do Brasil e do mundo, mas foi Carmen Miranda quem realmente tocou o coração das brasileiras.

A artista portuguesa de essência brasileira teve um grande papel no que diz respeito à disseminação da estética tropical e latino-americana, levando sua versão de baiana, desenhada com ajuda do ilustrador Alceu Penna, para o imaginário popular internacional. Mesmo que ela tenha tomado liberdades que talvez não condiziam totalmente com a realidade do Brasil, sua importância é inegável.

Eventos marcantes entre 1941 e 1950:

  • 1941 – Recessão de matéria-prima.
  • 1942 – Produção econômica de roupas.
  • 1943 – A atriz Beta Grable se apresenta para o exército norte-americano usando maiô decotado e salto alto, posando para as fotos de costas para esconder a pequena barriga de grávida. Como os soldados prendiam um alfinete (pin) na parte superior (up) das fotos, nasce o conceito das garotas pin-up.
  • 1946 – O biquíni é lançado, presente na coleção de roupas de banho do estilista francês Louis Réard.
  • 1947 – Lançamento do New Look da Dior, símbolo de elegância e classe, com saias rodadas abaixo dos joelhos, cintura apertada, ombros marcados e saltos finos.
  • 1947 – Lançamento do filme Copacabana, com Carmen Miranda.
  • 1948 – O biquíni é usado pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, pela imigrante alemã Miriam Etz.
  • 1950 – Acontece o baile “Carnaval à Rio”, organizado pelo estilista francês Jacques Fath, com grande comitiva brasileira patrocinada pela fábrica de tecidos carioca Bangu, em parceria com Assis Chateaubriand. Meses depois, Fath visita o Rio para promover os produtos da empresa.

Este foi apenas o início da nossa viagem. Para continuar nessa aventura, clique aqui e confira a evolução da moda dos anos 50 aos anos 90.

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