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A moda brasileira: um retrato dos anos 50 a 90

Entenda como a moda brasileira de 1950 a 1990 refletiu e influenciou a cultura do país, revelando tendências únicas.

A primeira metade do século XX foi marcada por transformações sociais, políticas e culturais que moldaram a identidade brasileira. A moda, como reflexo fiel de tais mudanças, também teve um desenvolvimento expressivo.

Agora, vamos explorar os caminhos da moda brasileira entre os anos de 1951 e 1990, um período rico em criatividade, inovação e identidade. Continue acompanhando!

1951-1960

Ilustração de duas pessoas.

Sem guerras, os anos 50 foram prósperos. O racionamento havia ficado para trás, o que permitia a explosão de criatividade por parte dos designers, assim como o uso abundante de tecidos e quaisquer outros materiais.

A divisão de gêneros se tornou mais definida. Os homens se vestiam mais casualmente, enquanto as mulheres eram guiadas para uma moda baseada em formalidade, elegância e combinações muito bem pensadas.
Elas ganharam ares ultrafemininos, com cores mais vibrantes, estampas padronizadas e a valorização de acessórios. Também havia certo bom humor, exemplificado pelas divertidas saias de poodle. Em relação aos sapatos, saltos modestos estavam em alta, como mocassins e o icônico modelo com bicos pretos da Chanel.

Em Hollywood, as estrelas de cinema brilhavam mais do que nunca. Jayne Mansfield e Marilyn Monroe trouxeram novos significados de sensualidade, mas os homens foram tão revolucionários quanto elas.

Com pose de bad boy em Juventude Transviada (1955), James Dean marcou o início da paixão pelo combo de camiseta branca, jeans azul e jaqueta. Seguindo o mesmo estilo, Elvis Presley, em Prisioneiro do Rock’n’Roll (1957), com sua memorável blusa listrada, incentivou os homens a deixar a rigidez de lado.

Em terras brasileiras, ainda havia resistência sobre o consumo de produtos nacionais. As Lojas Mappin tiveram grande importância neste quesito, já que se esforçaram para aumentar a qualidade e a aceitação da confecção doméstica.

É neste momento que os estilistas brasileiros crescem. Clodovil Hernandez, Dener Pamplona e Guilherme Guimarães passam a criar uma nova face na alta-costura, focando em tecidos leves e estampas vivas para melhor adequação ao clima tropical.

Os anos 1950 no Brasil também marcaram a ascensão da indústria têxtil e maior divulgação midiática da moda na revista Fon Fon e colunas no Jornal Brasil e Revista de Domingo.

Eventos marcantes entre 1951 e 1960:

  • 1951 – Avanço da moda italiana.
  • 1952 – Fundação da Givenchy.
  • 1952 – Primeira criação da Capricho, revista teen da Editora Abril.
  • 1955 – Festival da Moda Brasileira, criado pelas Indústrias Matarazzo de São Paulo para premiar os melhores profissionais da área.
  • 1958 – Criação da Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil), em São Paulo.
  • 1959 – Lançamento da coleção masculina de Pierre Cardin com paletós sem gola e lapelas arredondadas.
  • 1959 – O ilustrador e modelista Gil Brandão começa a escrever conteúdos de moda para o Jornal Brasil nas seções “Escolha o seu modelo”, “O modelo da semana”, entre outros.

1961-1970

Ilustração dos anos 1961-1970. No desenho tem um casal.

Muita coisa aconteceu no cenário fashion dos anos 1960. As mulheres seguiram três linhas principais: a continuação da feminilidade elegante da década passada, a efervescência e o modernismo londrino (Swinging London) e o movimento hippie.

A moda do alto escalão era formal e requintada, com Jacqueline Kennedy, a primeira-dama dos Estados Unidos, e Audrey Hepburn sendo os principais exemplos. Vestidos modestos, conjuntos de saia e blazer e tecidos nobres eram comuns nesta vertente.

Os Beatles e a banda The Who chacoalharam a juventude britânica, abrindo espaço também para outros nomes que se encaixavam no Swinging London, como a modelo Twiggy, que usava minissaias, vestidos coloridos, formas geométricas, referências futuristas e seus famosos cílios separados.

Nos Estados Unidos, os hippies surgiram em um movimento de contracultura, defendendo uma sociedade naturalista e libertária. Nas roupas dos adeptos, como Janis Joplin, havia muitos tecidos vibrantes, camisas abertas, tons terrosos, flores nos cabelos, tie-dye e calças boca de sino.

Sapatos de tons intensos, saltos Mary Jane e de bicos quadrados, sandálias de couro e tênis eram os calçados da época. A grande novidade foram as botas até pouco abaixo do joelho, feitas de couro, PVC ou vinil. Eram conhecidas como go-go boots.

Os homens passaram a usar mais cores e estampas. O militarismo era mais jovem, despojado e até sexy, seguindo as estéticas de artistas como Jimi Hendrix e Mick Jagger. Enquanto isso, cresceu a popularidade dos ternos italianos.

As roupas do Brasil também ficaram mais coloridas e descontraídas. Os vestidos e saias curtas da Europa e dos EUA foram um grande sucesso, mas também havia brasilidades. Elementos nacionais passaram a ser incorporados, como a cores e formatos das plantas e dos animais.

Artistas renomados trabalharam para que a moda brasileira ganhasse identidade própria, como Volpi, Ademir Martins, Darcy Penteado, Jacques Heim, Burle Marx, Madame Rosita e Alceu Penna. A coleção Brazilian Style, da Rhodia, atravessou fronteiras e foi à Itália e Paris em 1964.

Ao mesmo tempo, em meio ao regime militar, nascia o movimento tropicalista, que visava tornar o cenário artístico e cultural mais livre. A inspiração vinha do movimento antropofágico dos anos 20, cujo objetivo era assimilar outras culturas para compor a própria. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Rita Lee, entre outros, fizeram muito barulho na música, mas também na moda.

Apesar das críticas que tinham a ela, os membros da Tropicália resgataram a estética viva de Carmen Miranda, com suas paletas alegres e elementos naturais. De maneira geral, as roupas eram consideravelmente semelhantes às dos hippies, mas com mais extravagância e refletidas em contexto brasileiro.

Eventos marcantes entre 1961 e 1970:

  • 1961 – Criação da minissaia e minivestidos, por André Courrèges.
  • 1961 – Criação da revista Claudia, publicada pela Editora Abril.
  • 1962 – Lançamento das sandálias Havaianas.
  • 1965 – Yves Saint Laurent lança o smoking feminino Le Smoking e a coleção Mondrian, inspirada nas obras do pintor holandês Piet Mondrian.
  • 1965 – Lançamento do tênis Adidas Superstar.
  • 1966 – Lançamento do tênis Adidas Gazelle.
  • 1967 – Explosão do movimento hippie.
  • 1968 – A atriz Marsha Hunt usa o cabelo black power no musical Hair, da Broadway, e populariza o penteado.
  • 1968 – Festival Woodstock, nos Estados Unidos.
  • 1968 – Lançamento do disco Tropicália ou Panis et Circencis, interpretado por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé.
  • 1970 – A designer Zuzu Angel, já famosa no Brasil, trabalha em Nova York e lança roupas inspiradas em Lampião e Maria Bonita, nas rendas do Nordeste e nas vestes típicas das baianas.

1971-1980

Ilustração dos anos 1971-1980.

Mais cores e mais brilho nos anos 1970. O começo da década ainda tinha resquícios hippie — que foram adotados pelas casas de luxo, algo que ia na contramão da filosofia original. Ao longo dos anos, surgiram as roupas glamourosas da música disco e o crescimento das vestimentas esportivas.

Os tecidos sintéticos estavam mais em alta do que nunca, o que barateou os valores de produção e de compra. Esse período ficou conhecido como a Década do Poliéster.

As mulheres passaram a usar ternos e algumas peças inspiradas nos anos 30 e 40, mas as roupas brilhantes, metalizadas e reveladoras também faziam sucesso nas noites e no figurino de grandes estrelas da época, como Cher e outros artistas que frequentavam a icônica casa noturna Studio 54. 

Os homens ousaram ainda mais nas cores e estampas, incluindo blusas e calças mais apertadas, gola alta e cabelos compridos. A cultura punk surgiu em 1974, chocando a sociedade conservadora com muito couro, roupas rasgadas, spikes, correntes, alfinetes, moicanos e palavras anarquistas. A banda Sex Pistols e a designer Vivienne Westwood faziam parte do movimento.

As coisas também mudaram para os sapatos. Os anos 70 marcam o amor pelas plataformas — tanto para mulheres quanto para homens —, botas thigh high (que vão até as coxas), tamancos de madeira, botas de cowboy, tênis de corrida e coturnos.

O crescimento econômico que aconteceu no Brasil entre 1969 e 1973 (Milagre Brasileiro) trouxe um fôlego diferente ao setor da moda, mas que logo esbarrou com a repressão da ditadura militar. Neste mesmo tempo, 40% dos cidadãos já tinham um aparelho de TV em casa, o que contribuiu para que as pessoas se importassem ainda mais com a aparência, motivadas pelo o que viam na tela.

Depois de tanta resistência por parte da elite a consumir produtos domésticos, as boutiques investiram pesado em produções de luxo, eventualmente convencendo o público de que as confecções nacionais tinham tanta qualidade quanto as internacionais. Por conta da alta financeira, a classe média também se beneficiou, e foi o público-alvo principal do prêt-à-porter.

A moda brasileira fervilhava nos anos 70: a Rhodia articulava o Brazilian Nature, evento para exibição de tecidos ilustrados pelos maiores pintores do país; a tanga nascia nas areias do Rio em 1974; a calça jeans boca de sino era cada vez mais amada pelas massas; a relevância de Clodovil Hernandes crescia; Luís de Freitas tornava-se referência em moda masculina; e Zuzu Angel protestava contra o regime militar ao bordar manchas de sangue, anjos mutilados, tanques e pássaros feridos em suas roupas.

A Cidade Maravilhosa se tornou o paraíso das boutiques, sendo a Píer e Blu-Blu – que depois passou a ser chamada de Moda-Rio – as mais famosas. 

Eventos marcantes entre 1971 e 1980:

  • 1972 – Lançamento do vestido-envelope, por Diane Von Fürstenberg.
  • 1972 – Fundação da Nike e lançamento do tênis Nike Cortez.
  • 1973 – Inauguração da Première Vision, feira de tecidos organizada por empresas têxteis da França. O evento acontece até hoje, inclusive em São Paulo.
  • 1974 – Inauguração da SEX, loja com artigos punk de Vivienne Westwood.
  • 1975 – Criação da Armani, por Giorgio Armani.
  • 1975 – A revista Vogue chega ao Brasil pela Editora Três.
  • 1976 – Chegada da C&A no Brasil.
  • 1978 – Estreia da novela Dancin’ Days, com música tema de mesmo nome interpretada pelo grupo As Frenéticas.
  • 1980 – Primeira FENATEC (Feira Nacional de Tecelagem), em São Paulo.

1981-1990

Ilustração moda anos 1981-1990.

Ao ocuparem maiores posições de poder, as mulheres encontraram nas roupas uma maneira de não se deixar intimidar pelos homens. Ombreiras, ternos imponentes, mangas bufantes e abundância de acessórios fizeram parte da época.

Diante do frenesi fitness causado pelo lançamento do filme Flashdance (1983) e das fitas de ginástica de Jane Fonda, calças legging, polainas e collants também foram muito populares nos anos 1980.

Entre os ícones fashion mundiais, Princesa Diana tinha enorme destaque com seus looks elegantes e dignos da realeza britânica, mas com uma pontada de descontração e senso de estilo que só ela, dentre as paredes do Palácio de Buckingham, possuía.

Madonna também encantou gente de todo o planeta. Na década de 80, a artista era mais punk do que pop, e criou uma espécie de continuação da estética de Vivienne Westwood ao lançar os clipes de seus dois primeiros álbuns, Madonna e Like a Virgin, em 1983 e 1984, e estrelar no filme Procura-se Susan Desesperadamente (1985).

Os homens aderiram à onda de powersuits, com ternos de modelagem mais robusta e sobretudo no lugar dos paletós convencionais. O movimento punk ainda seguia firme, e a cultura hip hop começou a ganhar mais força, abrindo espaço para roupas mais casuais e com um quê esportivo – muito por causa de artistas como Run DMC.

Nos pés, muitos tênis, principalmente os modelos Chuck Taylor da Converse, Air Jordans da Nike e Superstar da Adidas. Coturnos, sandálias coloridas de plástico e saltos altíssimos também estavam na moda.

No Brasil, a televisão era a maior fonte de inspiração, vinda de produções nacionais e internacionais. Através das novelas e programas de auditório, as principais tendências do momento invadiam as casas. Havia muitos ombros proeminentes, trajes de ginástica, cabelos volumosos, cores intensas, jeans e roupas curtas.

Mesmo que o momento político da época fosse conturbado — transição da ditadura para a democracia, o que desencadeou desafios financeiros —, a moda brasileira fluía como nunca. Ainda que não fosse a mais elegante de todas, era divertida, alegre e autêntica, já que não era mais necessário apenas absorver as trends de outros países. 

Xuxa, Cazuza, Luiza Brunet, Monique Evans, os membros da banda Blitz, Angélica, Eliana e Mara Maravilha foram alguns dos grandes influenciadores da moda naquele tempo, cada um com seu próprio estilo, mas sempre se encontrando no bom humor e até mesmo na teatralidade.

As grifes nacionais (Ellus, Fórum, Zoomp) atingiram novos patamares, enquanto as lojas de departamento estavam no auge. Além da clássica Mappin, Mesbla e Daslu cresciam cada vez mais.

Eventos marcantes entre 1981 e 1990:

  • 1983 – Expansão da Daslu.
  • 1983 – Anna Wintour entra para a Vogue americana como diretora-criativa.
  • 1985 – Lançamento do tênis Air Jordan, da Nike.
  • 1986 – Criação da Cooperativa de Moda, organizada por estilistas que trabalhavam na Rhodia.
  • 1986 – Estreia do programa Xou da Xuxa, com grande acervo de figurinos usados pela apresentadora.
  • 1988 – Estreia da novela Ti Ti Ti, com enredo sobre o mundo da moda.
  • 1988 – Criação da marca paulista Le Lis Blanc.
  • 1990 – Mais facilidade de importação de matérias-primas após a redemocratização.

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